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id da página: 3839 Arberry Asim de Antioquia Arthur John Arberry

Arberry Asim de Antioquia


ARBERRY, A. J. Le soufisme: La mystique de l’Islam. Jean Gouillard. Paris: Editions Le Mail, 1988

Veja: versão francesa, da tradução abaixo

Terminaremos esta curta revista dos antigos ascetas como a começamos por uma citação de Ahmad b. 'Asim de Antioquia. Ela tem a vantagem de fornecer um excelente exemplo da evolução que começa com seu tempo a afetar progressivamente o caráter do sufismo. O sufismo, de um modo de vida que é proteção contra a mundanidade dos dirigentes, vai se transformar em uma teoria da existência e um sistema de teosofia. Discípulo ele mesmo de um asceta conhecido, Abu Sulaiman al-Darani, Ahmad é o mais antigo autor conhecido de escritos místicos, dignos deste nome, que nos chegaram, e anuncia assim os grandes autores sufis do século III/IX. Um curto diálogo entre ele e um discípulo anônimo nos o mostra em seu papel de mestre espiritual, um traço que irá se acentuando no sufismo.

Pergunta. — Que dizes da consulta a outrem?
Resposta. — Não te fies nela, exceto se se tratar de um homem digno de confiança.
P. — Que dizes de dar conselhos?
R. — Examina primeiro se tuas palavras te salvarão a ti mesmo; em caso afirmativo, tuas diretivas são inspiradas, serás respeitado e acreditado.
P. — Que pensas da associação com outros homens?
R. — Se encontras um homem inteligente e digno de confiança, associa-te com ele e foge do resto dos homens como de feras selvagens.
P. — Qual é a melhor maneira para mim de me aproximar de Deus?
R. — Deixar as faltas interiores.
P. — Por que interiores preferivelmente a exteriores?
R. — Porque evitando as faltas interiores, tuas faltas exteriores serão também nulas como tuas faltas interiores.
P. — Qual é a falta mais perniciosa?
R. — Aquela da qual ignoras que é uma falta. Mais perniciosa ainda, aquela que se toma por um ato de virtude quando não é senão uma falta.
P. — Qual falta me é mais proveitosa?
R. — Aquela que guardas diante de teus olhos, chorando sobre ela sem cessar, até que queiras nunca mais cometê-la de novo. Eis o "verdadeiro arrependimento" (C. 66.8).
P. — Qual é o ato virtuoso mais nocivo?
R. — Aquele que te faz esquecer tuas más ações; aquele que guardas diante dos olhos, repousando sobre ele com confiança, de sorte que, em tua ilusão, não temes o mal que fizeste, por orgulho.
P. — Onde estou mais escondido?
R. — Em tua cela e em tua casa.
P. — E se não estou em segurança em minha casa?
R. — Lá onde as cobiças não se colam a ti, onde as tentações não te assediam.
P. — Qual graça de Deus me é mais proveitosa?
R. — Quando ele te guarda de desobedecer-lhe e te ajuda a obedecer-lhe.
P. — Isto é um resumo. Explica-me mais claramente.
R. — Perfeito. Quando ele te assiste com três coisas: uma razão que desarma tuas paixões, um conhecimento que basta à tua ignorância e uma independência que afasta de ti o temor da pobreza.